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23
out

Como é viver longe da minha família?

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Priscila Santos Priscila Santos

Viver longe da família é uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na vida. Para quem não sabe, há pouco mais de 2 anos eu deixei minha cidade natal, Brasília, para viver em São Paulo e o motivo era um só: é a única cidade do Brasil que tem a faculdade que eu faço. Mas será que compensa estar longe da família para se dedicar à carreira?

Eu nunca tive vontade de vir morar em São Paulo e acho que por isso, não tenho apego à essa cidade. Meu propósito aqui é profissional e assim que ele finalizar, pretendo voltar para minha cidade do coração. Curioso que antes de vir pra cá e conhecer essa realidade diferente, eu me achava no direito de reclamar de Brasília. Sim! Eu dizia que minha cidade não tinha nada, não acontecia nada e nunca imaginei que sentiria tanta falta.

De lá para cá, percebi uma mudança nesse quesito, vejo que Brasília tem se desenvolvido bastante em termos de eventos, informação, cultura também. O que eu não havia pensado, é que minha cidade reúne as PESSOAS QUE EU MAIS AMO no mundo, e estar longe parte meu coração.

Ver as amigas casando, tendo filhos, afilhado crescendo, pessoas queridas alcançando objetivos profissionais, amigos perdendo parentes, pessoas ficando doentes ou comemorando realizações sem poder presenciar isso, dói demais. Sério, não imaginaria que seria tão difícil. E sim, já quero chorar escrevendo isso.

Então você que pensa: “aaah, mas sou tão desapegado! Não sou muito grudado com minha família, vou tirar de letra!” saiba que eu também pensava assim. Na minha família nunca teve isso de se reunir para almoçar/jantar, cada um fazia isso conforme sua hora/necessidade, não somos de assistir filmes juntos e nem fazer todas as coisas juntos, e ainda que cada um estivesse no seu quarto e no seu canto, estávamos todos na mesma casa, na mesma cidade, indo para as mesmas reuniões de família, comemorando aniversários ou comemorando nada, apenas a oportunidade de estarmos todos juntos.

É disso que eu sinto falta.

Esse ano eu perdi minha avó materna, e foi uma dor sem igual. Eu estava em São Paulo, sozinha, e precisava de um abraço de alguém que entendesse meu sofrimento, e o máximo que eu pude ter nesse momento foi minha madrinha linda, no telefone, me dando forças e tentando me acalmar. Dói, gente. Quando eu pude estar com minha família, aí sim, eu me senti confortada.

Quando eu me pergunto se isso vale à pena, eu mesma me respondo que só vale enquanto houver propósito em estar aqui. Eu ainda faço faculdade e meu propósito atual é esse. Mas não, no meu caso, não vale a pena passar o resto da vida nesse sofrimento.

Então vocês, que por acaso moram longe de alguém (ou “alguéns”) que você ama, força! É bom viver novas experiências, conquistar um bom emprego, uma vida profissional estável (coisas que eu ainda não consegui!), mas nada paga a alegria dos churrascos de família, das saídas com os amigos do peito, das conquistas compartilhadas.

Em contrapartida, é bom seguir e correr atrás dos nossos sonhos e a vida é REALMENTE feita de escolhas e das consequências dessas escolhas. Se eu não tivesse vindo, nunca saberia o quão maravilhoso é ter tudo isso que eu “perdi” vindo pra cá. Como diria um professor de ensino médio que eu tive: “Só o sofrimento constrói”. Então… É preciso arriscar, né?!

Fica aqui meu abraço carinhoso à você, que está nessa comigo. E vamos juntos passar por essa! <3

Luiza Nobre Borges @ lhu.nobre@gmail.com

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